Por alguma razão, para várias pessoas a figura do impostor é envolta de certo charme. Eles são sorrateiros, mentirosos e muitas vezes totalmente amorais, mas pelo ao menos a maioria deles possui estilo. Exemplo disso é Frank Abagnale, que serviu de inspiração para o filme Prenda-me se for capaz, estrelado por Leonardo Di Caprio e Tom Hanks. O sujeito roubava, enganava e mentia para conseguir sua fortuna, mas não importa quantos cheques ele falsificava: a audiência continuava torcendo por ele. Eis uma lista com os 10 maiores impostores do século 20.

 

10 – Cassie Chadwick (1857 – 1907)

Os 10 maiores impostores do século XX

A lista começa com uma ilustre figura que começou suas atividades criminosas no final do século XIX, continuando sua carreira na primeira década do século seguinte. Em 1858 no Canadá nascia Elizabeth Bigsley, que viria ser mundialmente conhecida por sua alcunha, Cassie Chadwick.

Aos 14 anos, Chadwick foi presa foi falsificar cheques em Ontario, alegando que eles haviam sido herdados de um tio britânico falecido há anos. A corte a libertou pouco tempo depois, declarando-a mentalmente incapaz, um feito bastante dúbio para uma adolescente. Como o passar dos anos, os golpes de Cassie foram ficando mais complexos.

Em 1882 ela se casou pela primeira vez se fazendo passar por uma vidente chamada Madame Lydia DeVere. No entanto, o casamento de alta classe chamou atenção de vítimas de golpes anteriores de Cassie, que começaram a acossá-la para serrem ressarcidos. Com isso, o casamento durou menos de um ano.

Quinze anos e três maridos depois, Cassie Chadwick esquematizou sua fraude mais ambiciosa, que a tornaria uma lenda: ela convenceu o mundo de que era uma filha ilegítima de Andrew Carnegie, um magnata do ferro e de ferrovias imensamente rico e influente. Durante oito anos, ela conseguiu pelo ao menos US$ 20 milhões em empréstimos de bancos usando o nome de Carnegie. Os banqueiros geralmente não se atrevia a pedir para que Andrew Carnegie atestasse a identidade de Chadwick temendo iniciar controvérsias sobre sua “filha bastarda”.

O esquema foi desmontado em 1904, quando a impostora foi presa após um banco ter descoberto sua falsa identidade. Ela foi sentenciada a 14 anos de prisão, mas morreu três anos depois por problemas cardíacos.

 

9 – Stanley Clifford Weyman (1890 – 1960)

Os 10 maiores impostores do século XX

Diferente da maioria dos impostores, Weyman não trapaceava por dinheiro – ele queria viver aventuras se passando por oficiais da Marinha e do Exército, jornalistas e até mesmo pelo Secretário do Estado americano. Certa vez Weyman afirmou: “Uma vida é uma coisa entediante. Eu vivi várias vidas. Nunca fico entediado.”

Certa vez, Weyman arquitetou um encontro entre uma princesa afegã e o então presidente dos Estados Unidos, Warren Harding. Em 1921, a Princesa Fatima estava visitando os Estados Unidos em decorrência da negociação de um acordo de paz entre o Afeganistão e o Reino Unido. No entanto, o governo americano não havia reconhecido a visita oficialmente. Weyman se aproveitou da situação para visitar a Princesa Fatima se passando pelo Ministro das Relações Exteriores americano e lhe prometeu que conseguiria uma reunião com o presidente. Tudo o que ele pediu em troca é que a princesa doava um valor de US$ 10 mil como agradecimento ao Departamento de Estado.

Mas enquanto a maioria dos falsários sumiria após conseguir o dinheiro, Weyman foi fiel à sua promessa: ele usou o dinheiro para custear transporte e acomodações de primeira classe para a princesa em Washington. Chegando na capital, o impostor ludibriou diversos funcionários importantes da Casa Branca até conseguir ter acesso ao presidente em pessoa. Quando a imprensa divulgou uma foto sua ao lado da princesa e do presidente, ele foi reconhecido e preso.

Por que ele fez aquilo? Só para ver se conseguiria.

 

8 – Ferdinand Waldo Demara, Jr. (1921 –1982)

Os 10 maiores impostores do século XX

É raro um impostor que consiga exercer um impacto positivo no mundo e salvar vidas através de seus estratagemas. A maioria deles está somente atrás de dinheiro ou de aventura, como Stanley Weyman.

Para Ferdinand Demara, se passar por outras pessoas era cumprir papéis necessários para a realização de algo. Demara cumpriu serviço militar como soldado. Infeliz com sua profissão, em 1942 ele decidiu forjar seu próprio suicídio, passou a atender pelo nome de Robert French e começou a lecionar psicologia na Universidade da Pensilvânia (sem jamais ter estudado psicologia antes).
Periodicamente, Demara mudava de universidade usando diversos nomes. Porém ele acabou sendo preso depois de um tempo, mas não por usar identidades falsas, e sim por ter desertado do Exército.

Quando Demara saiu da cadeia, ele viu as notícias sobre a guerra na Coréia nos jornais. Assumindo a identidade de um conhecido, um cirurgião chamado Joseph Cyr, ele conseguiu um emprego no contratorpedeiro canadense HMCS Cayuga e partir para a Coréia. Infelizmente, ele era o único cirurgião a bordo e acabou realizando mais de 16 cirurgias delicadas – sem ter qualquer treinamento para isso. Todos os seus pacientes se recuperaram. No livro biográfico O Grande Impostor, Demara alega que simplesmente lia livros de medicina sobre as cirurgias antes da operação.

Em 1961, foi lançado um filme sobre a carreira criminosa de Demara, estrelando Tony Curtis.

 

7 – George Dupre (1905 – 1952)

Os 10 maiores impostores do século XX

George Dupre é um caso interessante, uma vez que ele nunca fingiu ser outra pessoa. No entanto, a história que ele realmente viveu e a história que ele e alegava ter vivido eram tão diferentes que inadvertidamente ele se tornou um dos maiores heróis de guerra do Canadá nos anos que sucederam a Segunda Guerra Mundial.

Depois que a guerra acabou Dupre começou a viajar por todo o Canadá como um orador público, descrevendo suas missões como espião para a Executiva de Operações Especiais (Special Operations Executive), uma lendária organização criada por Winston Churchill, primeiro-ministro britânico para promover missões de espionagem e sabotagem às forças inimigas durante a guerra, às vezes referida como o Exército Secreto de Churchill (Secret Churchill’s Army).

Dupre teceu intricadas fábulas da vida por trás das linhas inimigas em Paris durante a ocupação, trabalhando com a resistência subterrânea para derrubar a Gestapo nazista. Ele descreveu sua angustiante experiência como um prisioneiro da Gestapo, sofrendo semanas de tortura física e psicológica ao se recusar divulgar qualquer informação. Sua história se disseminou tanto que um livro foi escrito sobre ela, The Man Who Wouldn’t Talk ( O homem que não abriu a boca, em tradução livre) e Dupre se transformou em uma sensação internacional.

O problema é que nada daquilo era verdade. Com a fama do livro, surgiram testemunhos de pessoas que serviram com Dupre na guerra. A verdade é que Dupre passou a guerra inteira atrás de uma mesa em Londres. Descobriu-se que Dupre havia aumentado um pouco algumas histórias e a coisa toda fugiu do seu controle.

Porém Dupre não lucrou nada com suas fábulas além de seus 15 minutos de fama: ele doou toda a renda proveniente das vendas dos livros para o grupo de escoteiros do Canadá. Sua biografia foi reclassificada como ficção.

 

6 – David Hampton (1964 – 2003)

Os 10 maiores impostores do século XX

A maioria dos impostores desta lista começaram suas carreiras ainda jovens, mas poucos deles atingiram notoriedade antes dos 20 anos de idade. David Hampton é atualmente considerado um dos mais impostores bem sucedidos mais jovens e sua história inspirou a peça Seis Graus de Separação, que foi adaptada para o cinema em 1993 (no filme, o personagem baseado em Hampton foi interpretado por Will Smith em um dos seus primeiros trabalhos como ator).

Seu truque: se passar por filho do ator Sidney Poitier, famoso por ser o primeiro negro a ganhar um Oscar como Melhor Ator e também pelo conjunto da obra (na verdade Sidney Poitier deve seis filhas, mas nenhum filho). Em 1983, aos 19 anos, David Hampton tentou entrar em um clube noturno com um amigo. Os seguranças não os deixaram entrar, mas quando Hampton voltou mais tarde dizendo que era filho de Sidney Poitier, o levaram diretamente para a área VIP. Assim, sua falsa identidade nascia.

Hampton começou a aparecer em restaurantes de primeira classe, alegando se tinha um encontro marcado com seu “pai”. Ele jantava, se fingia de desapontado por seu pai não ter aparecido e pagava a conta com um cheque assinado com o nome Poitier. Logo ele começou a mirar cidadãos ricos de Manhattan – incluindo o estilista Calvin Klein e o ator Gary Sinise (Tenente Dan em Forrest Gump, Mac Taylor em CSI: Nova York) entre outros. Hampton se apresentava como David Poitier e contava que havia sido assaltado e precisava de um lugar para passar a noite, até que seu pai chegasse no dia seguinte.

Em uma dessas casas, ele roubou uma agenda de endereços e passou a ligar antes para suas vítimas dizendo que era um amigo de seu filho ou filha da faculdade. Depois que a história de Hampton ficou conhecida através da peça em 1990, ele começou a viajar pelo país usando diferentes personas, já que David Poitier já estava marcado. Sua carreira acabou em 2003, quando David morreu de AIDS.

 

5 – Christian Karl Gerhartsreiter (1961 – presente)

Os 10 maiores impostores do século XX

Christian Gerhartsreiter é um alemão que se mudou para os Estados Unidos em 1979 na esperança de se tornar um ator. Seu plano funcionou – mas não de maneira convencional. Com apenas 18 anos, sem dinheiro, seu contatos e sem visto legal para permanecer nos Estados Unidos, ele decidiu que o melhor a fazer seria se casar para obter o green card através de sua esposa.

E foi o que ele fez – conheceu uma jovem chamada Amy Duhnke e lhe disse que se ele fosse mandado de volta para a Alemanha, seria forçadamente recrutado para lutar contra os russos (isso foi durante a Guerra Fria). Ela concordou em se casar com ele, mas um dia após o casamento, Gerhartsreiter abdicou da lua-de-mel e foi para a Califórnia tentar seguir sua vocação como ator.

Ao chegar à costa oeste americana, Christian Gerhartsreiter acabou assumindo o nome de Clark Rockefeller – alegando fazer parte da ilustre família Rockfeller. O plano funcionou extraordinariamente bem, e Gerhartsreiter passou as próximas duas décadas (de 1985 até 2006) vivendo como uma borboleta social e chegou até mesmo a se casar com Sandra Boss, uma estudante de Harvard, com quem permaneceu casado por 11 anos.

Porém Sandra começou a desconfiar de que seu marido não era quem dizia ser depois de um tempo. Apesar de alegar ser de uma família rica e influente, o casal dependia totalmente dos rendimentos de Sandra para viver, enquanto “Clark” procurava estabelecer contatos nas altas rodas. Sua esposa acabou descobrindo suas mentiras e pediu divórcio em 2006, saindo de casa com a filha do casal. Dois anos depois, Gerhartsreiter foi preso por sequestrar sua filha em Boston, o que deu início às investigações acerca de sua verdadeira identidade pelas autoridades americanas, que também descobriram que o impostor também já havia cometido um assassinato na Alemanha.

 

4 – Alan Conway (1934 – 1998)

Os 10 maiores impostores do século XX

Stanley Kubrick é considerado um dos maiores diretores americanos da história. Responsável por clássicos como Laranja Mecânica e O Iluminado, Kubrick sempre foi bastante recluso. Até que no começo dos anos 90, Kubrick começou a dar as caras em clubes londrinos.

Este “novo” Kubrick era na verdade um homem chamado Alan Conway, que começou a usar o nome do diretor cinematográfico para se aproveitar do status, mesmo sem ser totalmente diferente do Kubrick original, tanto em personalidade quanto em aparência física (Kubrick era barbudo e corpulento, enquanto Conway era franzino e careca, além de ter sotaque britânico).

Conway também tinha pouquíssimo conhecimento sobre a obra de Kubrick, mas mesmo assim manter sua falsa identidade. Uma vez que o Stanley Kubrick verdadeiro raramente aparecia em público nos últimos 15 anos, não era assim tão difícil encontrar quem acreditasse em Conway – até mesmo algumas pessoas que haviam conhecido o diretor pessoalmente foram enganadas, como o crítico de cinema Frank Rich, que chegou a concluir que Kubrick era gay por causa do comportamento afeminado de seu impostor.
Infelizmente, Conway era alcoólatra e, de acordo com seu filho, suas personificações eram mais reflexo de suas ilusões fanáticas do que de algum plano deliberado. Conway morreu em 1998 de problemas cardíacos.

 

3 – Anoushirvan D. Fakhran

Os 10 maiores impostores do século XX

No passado, muitos impostores gostavam de se passar por magnatas e industriais, mas parece que hoje em dia os nomes de Hollywood é que são passaportes para a alta sociedade. Em 1992, o iraniano Anoushirvan Fakhran chegou aos Estados Unidos com um visto de estudante e passou os anos seguintes vivendo regaladamente, paparicado com privilégios reservados somente para celebridades.

Isso porque todos o conheciam como Jonathan Taylor Spielberg, sobrinho do diretor Steven Spielberg. Anoushirvan levou sua persona tão a sério que chegou a mudar seu nome para Spielberg em 1997. Em 1998, uma mulher entrou em contato com a Paul VI High School, uma renomada escola preparatória em Fairfax, na Virginia. Era na verdade a mãe de Anoushirvan. Ela alegou que estava representando Steven Spielberg e disse que seu sobrinho estaria fazendo um filme na região e queria pesquisar sobre a vida de um estudante de ensino médio.

A escola permitiu que “Jonathan” assistisse às aulas gratuitamente, cuidando da transferência dele de sua escola anterior, a fictícia Beverly Hills Private School for Actors (Escola Privada para Atores Beverly Hills). Durante o tempo em que frequentou a escola, Jonathan Spielberg morou em um elegante apartamento em Fairfax Village (um condomínio fechado de luxo local)e ia para a escola dirigindo uma BMW, que frequentemente estacionava na vaga reservada para o diretor da Paul VI. Ninguém reclamava, afinal, ele era parente de uma celebridade.

Porém o esquema começou a dar errado quando Jonathan parou de frequentar as aulas e a escola tentou entrar em contato com Steven Spielberg para descobrir o que havia acontecido. Jonathan foi preso e condenado a 11 meses de prisão por falsificação de documentos.

 

2 – Steven Jay Russell (1957 – presente)

Os 10 maiores impostores do século XX

Steven Russell é paravelmente mais um especialista em fugas do que um impostor, mas os meios pelos quais ele fazia suas escapadas é que lhe garantem um lugar nesta lista. Em 1990, Russell perdeu o emprego e, ao invés de procurar outra ocupação, ele forjou um acidente e processou a empresa onde havia trabalhado. A fraude foi descoberta e ele foi preso. Em 1992, Russell se passou por um guarda trocando de roupa e escapou da cadeia andando pela porta da frente.

Algum tempo depois, Russell foi preso novamente, desta vez por desviar quase US$ 1 milhão de uma companhia médica. Russell deveria pagar uma fiança de US$ 900 mil para sair da cadeia – ele não podia pagar esse valor, então simplesmente ligou para o fórum se dizendo que era um juiz e reduziu a própria fiança para US$ 45 mil.

Infelizmente, ele foi procurado novamente pela justiça quando o erro foi descoberto e Russell foi condenado a 40 anos de prisão pelas acusações de desvio e dinheiro. Então ele fugiu novamente, desta vez usando várias dúzias de pincéis atômicos verdes para colorir seu uniforme de presidiário até que ele parecesse um avental cirúrgico. Se passando por um médico, ele novamente fugiu da cadeia pela porta da frente. E novamente ele foi encontrado rapidamente pela polícia.

Na sua tentativa de fuga seguinte, Russell falsificou históricos médicos com uma máquina de escrever em sua cela e, através do uso intenso de laxantes, convenceu os guardas da prisão de que estava morrendo de AIDS. Então ele ligou para a cadeira se passando por um médico à procura de voluntários para testar um novo tratamento contra AIDS. Russell se voluntariou imediatamente.

Quando ele foi pego novamente, tentou outra estratégia. Russell fingiu um ataque cardíaco e foi levado para um hospital escoltado por agentes do FBI. Então ele pediu para usar o telefone e ligou para os agentes que estavam montando guarda para lhes avisar de que não seria mais necessário vigiá-lo.

Atualmente, Russell está de volta à prisão aguardando ansiosamente pelo fim de sua pena, em 2140. O filme O Golpista do Ano, de 2009, estrelado por Jim Carrey foi inspirado em suas proezas.

 

1 – Christophe Thierry Rocancourt (1967 – presente)

Os 10 maiores impostores do século XX

Não deixam os Rockfellers em paz. Antes do alemão “Clark Rockfeller”, houve um Rockfeller francês, Christophe Rocancourt. Christophe começou seus golpes em grande estilo e depois disso não deixou a bola cair: sua primeira fraude foi falsificar as escrituras de uma propriedade em Paris e depois vende-la por US$ 1 .400.000,00.

Com a carteira cheia, ele foi para os Estados Unidos e começou a confraternizar com figurões de Hollywood, alegando ser um parente francês dos Rockfellers. Com essa falsa identidade (mais outras adicionais), ele convenceu diversas pessoas a financiarem seus projetos fictícios.

Na maioria das vezes, ele sequer apresentava um projeto muito detalhado – Rocancourt simplesmente aparecia nas festas e fazia uma vaga menção à sua mãe, que seria uma atriz ou produtora famosa. Em uma entrevista concedida em 2006, o imposto alegou ter defraudado cerca de US$ 40 milhões durante a sua carreira. Seu modus operandi era convencer pessoas abastadas de que ele estava trabalhando em um grande investimento qualquer, mas precisava de algum capital pra tirar o projeto do papel. Após receber o dinheiro, Rocancourt desaparecia. Ele chegou a ludibriar até mesmo o astro de ação Jean Claude Van Damme, que lhe deu dinheiro para produzir um suposto filme.

Ele foi preso por fraude em 1998. Em outra entrevista, concedida em 2009 em uma prisão em Vancouver, disse aos repórteres: “Eu nunca roubo. Nunca. Eu menti, mas nunca roubei”.

 

Fonte: Listverse

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