Em maio deste ano, a editora JBC, conhecida por publicar no Brasil alguns mangás populares como Fairy Tail, Hunter x Hunter, Cavaleiros do Zodíaco: Saintia Shō e Boku no Hero Academia, se envolveu em uma polêmica sobre pirataria ao solicitar a um site de scanlation (traduções não-oficiais de HQs e mangás, geralmente feitas por fãs) que retirasse de seu catálogo os títulos licenciados pela editora.

Marcelo Del Greco e Cassius Medauar, gerentes de conteúdo da JBC, falaram um pouco mais sobre o assunto no Anime Friends 2017, durante um bate-papo que também contou com representantes das editoras NewPOP e Panini.

Medauar afirmou que, como detentora dos direitos de publicação dos títulos no Brasil, a JBC se vê obrigada a zelar pelos mesmos, especialmente em vista do projeto Henshin Drive, uma plataforma digital de leitura de mangás da JBC que ainda não tem previsão de lançamento.

Nós somos os representantes do título no Brasil, então a gente tem que cuidar desse título. A partir do momento que a gente começou a conversar a respeito do digital também com os japoneses, a gente começou a ver o quanto eles se preocupam com a pirataria. A pirataria é um assunto muito sério para eles e eles vem tomando medidas lá no Japão para tentar combater fortemente a pirataria. A gente monitora isso faz bastante tempo. E o que aconteceu é que este ano chegou em um limite.

O tal “limite” seria a cobrança de assinaturas em um “sistema de doações VIP”, as quais dariam acesso premium ao catálogo da scanlation sem as propagandas. Em novembro de 2016, chegou a ser promovido até mesmo uma Black Friday para pacotes de assinatura com desconto.

De acordo com Medauar, as notificações jurídicas emitidas pela JBC não teriam sido uma exigência específica dos licenciantes japoneses, e sim uma resposta às denúncias feitas por leitores e até mesmo por outras scanlations, cujas traduções teriam sido apropriadas sem os devidos créditos.

No caso específico dessa vez, os leitores, os próprios consumidores, os próprios fansubbers, entraram em contato com a editora falando “Olha, o cara está pegando os scans de todo mundo, tá lá apagando o nome da galera, está subindo no site dele e está cobrando. Como assim? Vocês não vão fazer nada?”. Aí a gente teve que ir atrás.

Medauar relembra os tempos em que scanlations eram algo de fãs para fãs, que geralmente removiam o conteúdo disponibilizado quando a obra era licenciada no Brasil, o que parece ter se perdido.

Del Greco também comentou sobre a atitude do dono da scanlation:

O rapaz aí foi muito além. Além de ele cobrar, além de ele piratear os próprios fansubbers, o cara começou a achar que ele é que mandava, que ele é que decidia os mangás que vinham aqui para o Brasil de uma maneira muito louca. Chegar ao ponto de falar que ele foi responsável por Saintia Shô vir para o Brasil ou que ele é que era o responsável pelo sucesso de Naruto no Brasil? Cara vai se tratar, de boa. Daqui a pouco ele vai falar que ele que sugeriu as ideias dos títulos para os próprios autores, que aí não dá.

Segundo Mauricio Moschen, advogado da scanlation, o conteúdo do site sempre foi disponibilizado de forma gratuita e o “passe Vip” não se trata de uma cobrança, e sim uma “interface personalizada retribuída como privilégio a aqueles que deram suporte ao site com doações”, afirmando que a navegação VIP passaria a ser concedida gratuitamente a qualquer usuário cadastrado.

Júnior Fonseca, fundador da NewPOP, sugeriu ações em conjunto para tentar minimizar o problema da pirataria, o qual afeta todas as editoras.

Acho que a coisa vai ganhar um pouco mais de força quando nós agirmos juntos. Acho que seria bem bacana acontecer algo nesse sentido também, é bem legal começar a pensar nisso. Quando eu falo nisso não é somente a questão da pirataria, mas questão de distribuição. Eu acho bem bacana pensar nisso. Somos concorrentes? Somos. Mas é bem bacana em alguns elementos para melhorar o mercado agir de forma conjunta.

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