Twice as Far, o 14º episódio da 6ª temporada de The Walking Dead, contou com uma morte chocante e surpreendente. Denise, interpretada por Merritt Wever, morreu com uma flechada desferida por Dwight com a besta de Daryl.

Muito fãs ficaram surpresos por Denise ter sofrido a morte que nas HQs foi reservada a Abraham e alguns chegaram a alegar que a série teria matado uma de suas personagens lésbicas devido a uma suposta vertente homofóbica que permearia Hollywood chamada ‘Bury Your Gays’ ou ‘Dead Lesbian Syndrome’ (Enterre Seus Gays ou Síndrome da Lésbica Morta, em tradução livre), que seria basicamente uma hipótese de que lésbicas sejam muito menos comuns na ficção até mesmo que homens homossexuais e que essas personagens raramente têm a oportunidade de desfrutar de relações amorosas plenas e com finais felizes comuns às mulheres ficcionais héteros.

Algumas semanas atrás na série The 100, a personagem Lexa (interpretada por Alycia Debnam-Carey, a Alicia de Fear The Walking Dead) morreu logo após consumar sua relação com a protagonista Clarke (Eliza Taylor), reavivando este debate.

O site Autostraddle, voltado para lésbicas feministas e progressistas, compilou uma lista com mais de 140 lésbicas ou bissexuais mortas na ficção, a qual agora conta com Denise além de Alisha, namorada de Tara morta durante a invasão do Governador à prisão na 4ª temporada.

Um artigo do site americano Vanity Fair, assinado por Joanna Robinson, afirma que o relacionamento de Denise e de Tara deveria ser melhor desenvolvido antes de sua morte, alegando que a médica poderia ter sido eliminada devido a sua sexualidade em detrimento de um personagem hétero e branco, Abraham.

Ser uma lésbica não significa que uma personagem deva ser imune e qualquer um deve estar pronto para morrer em The Walking Dead, porém os escritores realmente decidiram trocar a personagem gay no lugar do macho alfa branco.

Em seu artigo, Robinson também comenta que o relacionamento entre Aaron (Ross Marquand) e Eric (Jordan Woods-Robinson) jamais foi explorado na trama principal da série.

Wever comentou sobre a reação em uma entrevista ao site The Daily Beast:

Estou familiarizada com o fato de personagens negros ou gays serem eliminados porque são considerados menos humanos, menos reais ou menos importantes e as pessoas não se importariam tanto. No entanto, do meu ponto de vista, não acho que foi isso o que aconteceu aqui. Mas eu certamente compreendo a preocupação na cultura de modo geral.

Robert Kirkman, criador de The Walking Dead, chegou a comentar sobre seus personagens homossexuais ao ser questionado sobre a sexualidade de Daryl Dixon, um dos personagens mais populares da série, mencionando Paul ‘Jesus’ Monroe das HQs antes do personagem fazer sua estreia na série.

Eu quero que Jesus seja um personagem cuja sexualidade seja tão irrelevante quando a de Rick ou de outros personagens heterossexuais. Então não focaremos constantemente nisso e não será o foco de nenhuma trama importante para ele… mas ele vai pegar um cara de vez em quando… antes de sair e acabar com zumbis. Ele é um dos meus personagens favoritos atualmente.

Nas HQs, Denise era heterossexual e desenvolveu um relacionamento sólido com Heath.

Você acha que essas acusações têm fundamento?

Deixe sua opinião nos comentários e confira um vídeo com os melhores momentos do episódio!

https://youtu.be/J_w_iZvaNc8

Veja também:

Produtora de The Walking Dead nega “cota para negros” na série

Fontes: Vanity FairAutostraddle e The Marie Sue

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