A edição de julho da Revista Ghibli trás uma entrevista especial com Eiichiro Oda, na qual o criador de One Piece revela sua admiração por Hayao Miyazaki, um dos fundadores dos Estúdios Ghibli e vencedor do Oscar de Melhor Animação por A Viagem de Chihiro, além de expressar seu ponto de vista sobre a criação de um mangá e relações familiares.

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Eu fui a exibiçãoO Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos, de Hayao Miyazaki. Fiquei muito feliz em ver sua nova arte e ser levado para um mundo novo.

Confira a entrevista:

Eiichiro Oda:Uma obra especial ligando passado e futuro é exatamente o One Piece que tenho desenhado.

Sou fã de Hayao Miyazaki, é uma imensa alegria ver seus desenhos, os quais me deram uma enorme satisfação após ver esta exibição.

Quando eu era criança, a maioria das séries da Weekly Shonen Jump não tinham muita coerência em termos de história. Tanto os mangakás quanto os leitores só se importavam com a diversão, sem levar a história em consideração. Dito isto, quando eu me tornei um mangaká, a história que eu queria criar deveria ser clara e coerente. Hoje em dia, os leitores estão mais atentos. Sinto esta tendência de que quanto mais os leitores prestam atenção, melhores eles são. Talvez seja porque adultos começaram a ler coisas que originalmente eram destinadas para crianças.

Mangakás começaram a organizar o conteúdo porque queriam a aprovação desses leitores adultos. Mas há uma regra implícita ao se criar uma história de que tudo nela deve ter coesão como um todo e que deve haver prenúncios do que está por vir. Por outro lado, deve a imaginação deve estar livre, que é o que vai deixar os leitores felizes.

Atualmente estou desenhando uma história sobre um soldado de brinquedo. Quando se fala de brinquedos, a impressão mais comum é que eles vão quebrar um dia. E, ao contrário dos humanos, eles não vão se recuperar. Também é incomum consertar brinquedos. Esse tipo de sentimento ilusório não é ruim.

Eu comecei a desenhar com a imaginação também. Desta vez (Dressrosa), primeiro desenhei uma cena onde um Soldado de Brinquedo e uma garotinha estão caminhando para frente de mãos dadas. Depois cada passo progride deste ponto. Minha impressão dos soldados, para ser sincero, é que eles são homens mortos. Desenhar uma garotinha ao lado de um soldado de brinquedo faz com que fique mais cheio de vida.

Garotas geralmente são mais frágeis e precisam de ajuda, com certeza. Ainda mais quando eu penso na minha filha. O impacto do ambiente é significativo. Eu não poderia ter imaginado escrever uma história sobre pais e filhos antes de ter me casado.

Tem uma personagem feminina, a Nico Robin, e quando fiz aquela perspectiva para o arco dela, eu fui pego de surpresa porque foi a primeira vez que escrevi uma história sobre pais e filhos. Até aquele momento, eu nunca havia pensado em desenhar algo parecido. Quando eu olho ao redor, minha esposa está aqui, minha filha está aqui, eu não consigo me lembrar quando minha impressão sobre pais e filhos mudou da minha perspectiva em relação aos meus pais para minha mulher e minha filha.

E quanto ao mangá, pode sim acontecer de a história da vida uma pessoa ser a repetição da história de alguém totalmente desconhecido. É mais provável de acontecer quando se trata de uma série longa.

Haverão alguns dos mesmos motivos nas mentes dos mangakás para inserir certas coisas, sejam acontecimentos históricos ou suas próprias ideias dentro de seu mangá. Claro que sou presumindo, mas isso também influencia a sociedade. Quando há depressão ou recessão, mangás com conteúdo otimista se tornam populares. É sempre simples aceitar coisas que vão na direção contrária da era atual. Eu vou ansiar mais olhar para um mundo ideal inimaginável somente quando estou em um mau momento.

Últimas palavras ditas a Hayao Miyazaki, o que quer que você escolha, espero que continue desenhando, pois vou querer muito ver.

Capa da Revista Ghibli de julho
Capa da Revista Ghibli

Fonte: OP Forum

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