Devido ao atraso das últimas críticas, decidi mesclar ambas numa só a fim de adiantar o que já está atrasado. Afinal, Family Is a Four Letter Word, o quarto episódio, estreia hoje (24/10). 

Os textos foram escritos individualmente, considerando a forma episódica da série. Segue os textos abaixo:

2X02 – Foothold

Nota: 3,5/5

Foothold lida uma parte com as consequências do assasinato impensado de Iris contra um NPC aleatório da CRM. Se a elipse imposta por Loren Yaconelli – voltando na direção – traz a ideia de tensão gratuita para o começo noturno, na realidade passa muito mais a sensação de ritmo que evita a redundância de que eles não serão pegos, compensando nós do que seria mais uma de outra cena de suspense (temos a mesma situação na casa de Indira, minutos mais tarde), jogando logo para a execução do plano que irá ludibriar a organização. Mas temporariamente, diria.

É óbvio que não vai demorar para Elizabeth reparar na jogada do grupo e voltar armada até os dentes, sem mais nem menos. Quer dizer, é o que eu espero que aconteça. Afinal o diálogo dela com Indira não me pareceu nada sutil, então, menos do que ra-tá-tá, porrada e bomba eu não espero. Pois estamos falando de uma organização que matou centenas de pessoas pelo motivo que ainda é um mistério, logo, com um possível traidor as coisas serão muito mais sérias, acredito.

E por falar em massacre parece que isso resplandeceu um lado obscuro em Iris, daquele de sangue nos olhos mesmo, incapaz de sentir remorso pelo que fez e chegar ao ponto declarar guerra aos culpados. São toques mais suaves que me compram, tal como foi nesse episódio mesmo em que ela menciona que seu medo não é de ser encontrada por Elizabeth, mas sim de não poder vingar-se. Foi bom. Mas falta mais. 

Do outro lado temos o poço da ambiguidade. Hope com o desconfiômetro no talo aceita um tour pelo local na intenção de saber poucas e boas e acaba ganhando um vislumbre maior do que é a CRM e suas operações, no vídeo-pesquisa de seu pai sobre os estudos dos Desmortos, criando assim uma ótica positiva do lugar que realmente luta pelo que quer e preza pela segurança de todos – para ela o pai estava em apuros. Mas acredito que isso não é o bastante para fazê-la mudar de ideia, coisa que parecia ser a intenção de Lyla, namorada de Leo, ao lhe mostrar tudo isso. 

Fica plantado a dúvida de qual lado Lyla está jogando, uma vez que seus sentimentos por Leo parecem genuínos – só parecem – perante ao que demonstra no passeio com Hope, mas seu comprometimento com os gigantes é muito maior. Ainda tem muita lenha para queimar e a apresentação de um novo assentamento dedicado a extermínio dos mortos, em que Silas Plaskett (o tigrão da Sucrilhos voltou!) é jogado, dá ideia de que um possível plano será posto em prática mais para frente, assim como é com o novo soldado Dennis que foi parar lá por algum deslize seu e, por tabela, tem um histórico amoroso com Huck. Ou seja, dois desajustados.

2X03 – Exit Wounds

Nota: 3/5

Agora em Exit Wounds há uma leve sensação de atraso, porém não é o caso já que Matt Negrete está mais que comprometido em entregar o que deixou de fazer na temporada anterior e acelera com a história mesmo que por um passo só. Afinal, há um flerte no relacionamento de Huck e Dennis, revelado em Foothold, mas nada além disso, o que me faz crer que vão economizar um tempo para maturar mais essa relação — ou não — , porque o importante é a resignificação do ambiente para Hope, pagando de espertona na aula e tendo um momento de pura farra depois, somente para convencer-se do contrário e sair atrás de Huck, moça com a coincidência pesada o bastante para aceitar e cumprir sua promessa de trazer todos de volta. 

Assim como na breve aparição de Silas, Percy e Elton voltam com muito mais tempo de tela numa caçada a primeira vista cômica e ingênua, ao expor o lado inocente de Elton em tentar confraternizar com desconhecidos como se fosse um passeio no parque. Só que a revelação de que a dupla Ash e Dev são filhos de Indira, líder do assentamento que Iris e Félix fazem morada, e que apenas atacaram os jovens por pura diversão anula toda a construção em volta do núcleo, sendo apenas uma extensão da minutagem para algo que podia ser resolvido em circunstâncias menos absurdas — um diálogo ou deus ex machina, talvez.

Embora a conveniência fale alto para que todos os núcleos convirjam no final , é totalmente aceitável e mostra que nessa última temporada o showrunner está disposto a encerrar todas as questões de uma só vez e, se puder, alcançar a redenção para o programa de adolescentes fujões no apocalipse. Que seja realmente isso e não apenas ilusão. 

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