(AVISO: o texto a seguir contém spoilers sobre o oitavo episódio da sétima temporada de “The Walking Dead”.)

“Mesmo a mais longa jornada começa com o primeiro passo.”

A frase é de alguém célebre, ou foi dita em algum filme. Os amigos leitores podem ajudar a esclarecer.

Mas fato é que se encaixa ao atual momento do grupo de Rick em The Walking Dead.

A mid-season finale da sétima temporada deixou isso bem claro. Mais, ainda, para quem viu o trailer do que vem pela frente, quando a trama for retomada, em 12 de fevereiro de 2017.

É tempo de reconstrução. Totalmente. De quase que completamente arrasados desde a chegada de Negan até a decisão de se fazer alguma coisa para estancar a sangria – literalmente.

Era preciso tomar uma atitude, e ela começa a ser tomada agora.

Rick, claro, como se sabe, não aceitaria a atual situação por muito tempo. Nem tanto necessariamente pelo fato de entregar de mãos beijadas praticamente tudo o que tem para o vilão. Mas, principalmente, porque isso não tem sido garantia de que as pessoas não continuariam morrendo.

O oitavo episódio foi exemplo disso, retomando aquele ritmo frenético da estreia, interrompendo um pouco a pasmaceira que atingiu a série depois disso, na avaliação de algumas pessoas (não na deste que vos escreve, que fique claro).

Nem tanto pela perda de Spencer. Obviamente, estava na cara que Negan reagiria da maneira que reagiu. Por diversos motivos, mas, principalmente, porque ele já deixou claro que quem dita as regras é ele. Sim, Negan pode, eventualmente, precisar de aliados espalhados pelos cantos que visita e domina, mas não seria da maneira que o filho de Deanna queria.

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Mais pela perda de Olivia. Não se tratava da mais carismática integrante de Alexandria, mas, ali, ficou claro que a bala poderia ter atingido qualquer um. Negan deu a ordem para que a capacho atirasse, e foi o que ela fez.

Matar Olivia mostrou que não existe a paz que se acredita que existisse quando se negocia com os Salvadores. Tratam-se de piratas e, como se sabe, piratas não seguem regras. Muito pelo contrário, aliás, parte do sadismo e da diversão deles está justamente em quebrar essas regras.

A partir daí, é como se sabe que vai acontecer. Rick vai colocar esse pensamento na cabeça dos povos de Hilltop e do Reino. Vai agregar número para encarar aquilo que Michonne viu, sabendo que mesmo assim estará em desvantagem. Mas, como posto, fazer alguma coisa era mais do que necessário, porque ainda existe muito a perder nas comunidades que tentam manter uma certa paz.

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Aos poucos, há a tentativa de se juntar os cacos. Daryl, o sujeito mais “livre” da série de TV, justamente porque não existe nos quadrinhos e, assim, não teve a história escrita, vai se colocando no lugar dele. Jesus vai assumindo a importância que tem e mostrando o enorme potencial que carrega. Carl, definitivamente, é o guerreiro que sempre se soube no qual se transformaria. E os pingos nos is com os demais começam a ser colocados.

O poder do Rei Ezekiel vai ser fundamental nesse ponto. É claro que, neste momento, o Reino optou por um acordo de “paz” com os Salvadores porque é conveniente para todos, mas trata-se de uma comunidade com uma força-tarefa grande. O momento em que estiver alinhada com Alexandria e Hilltop será, certamente, épico para The Walking Dead.

E o “primeiro passo da tal longa jornada”, então, terá sido qual?

Para alguns, o momento em que Michonne resolve se rebelar, escapar e ver de perto o tamanho da encrenca que os espera.

Para outros, a fuga de Daryl, trazendo de volta um elemento importante em muitos aspectos, não apenas físico, mas psicológico.

Para mais alguns a liderança de Maggie, a arrancada de Carl, a conscientização de Morgan e Carol (que virá), a esperança que toma conta de todos quando veem Rick chegando em Hilltop.

Daryl entrega para Rick a Colt Python: as coisas, aos poucos, estão voltando ao lugar?
Daryl entrega para Rick a Colt Python: as coisas, aos poucos, estão voltando ao lugar?

Mas o momento, mesmo, talvez seja quando Daryl entrega para Rick sua Colt Python. O simbolismo dessa ação é gigantesco. Não apenas por devolver ao cara a arma que marcou sua existência em The Walking Dead, assim como a besta está intimamente ligada a Daryl. Mas, principalmente, para mostrar que, ali, as coisas (na visão deles, ao menos) começam a voltar a funcionar. As peças começam a ser colocadas em seus lugares.

Quando Daryl entrega a arma e Rick a coloca no coldre, renova-se a esperança. Daryl mostra para o xerife que ele é o chefe, ele manda naquilo, ele está no comando e controla tudo. Sangue será derramado no que está por vir, e acredite: parte dele virá dos buracos causados pelas balas daquela Colt.

A jornada pela reconstrução será longa, sombria e tortuosa, mas o primeiro passo foi dado.

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