Interessante. Esta é a palavra que norteia toda a construção do segundo episódio da nona temporada de The Walking Dead. Parece que agora ficou mais nítido o tom que a série pretende apresentar em sua nova temporada, e agradou em sua introdução.

O clima de tensão que está sendo criado entre as comunidades e que já começa a dar as caras neste episódio é envolvente e tem potencial. A superioridade deste, em relação à Premiere é notória, com uma pegada raiz e narrativa menos artificial e enlatada.

Começamos com um pequeno prólogo onde Rick vai visitar Negan em sua cela, para relatar como um dia turbulento na jornada pela reconstrução da sociedade livre do autoritarismo – que outrora preponderou a relação das comunidades por meio do medo, submissão, extorsão e tragédias – se desenrolou de maneira tensa, desaguando em uma harmônica reunião entre diferentes.

O diálogo é ligeiro e ácido, com Negan agindo como se ainda estivesse por cima, esperando qualquer sinal de vacilo de seu algoz para emergir das catacumbas de Alexandria e tomar de volta para si o seu reinado tão abruptamente ceifado. Interessante destacar que do final do último episódio até esse passou pouco mais de um mês, e esse episódio todo narra apenas um dia de trabalho das comunidades no entorno da reconstrução da ponte.

Para meu agradável espanto, Daryl foi o pivô dos desdobramentos do episódio. O personagem queridinho que estava há muito esquecido no abismo escuro dos grunhidos, definitivamente se libertou, tem voz ativa e não está nada contente com a maneira com que Rick tem direcionado a situação das comunidades, que agora beira o insustentável e já começa a dar sinais de faísca.

Michonne por outro lado, está cada vez mais afundada em mesmices chatas. Basicamente uma boca repetidora das pregações de Rick, mas com atitude igual ou menor que zero. Maggie continua radiante, emitindo uma energia e fúria somadas com angústia que fazem dela a grande bomba relógio desta primeira metade da temporada.

Pequenos conflitos internos foram expostos no esforço conjunto das comunidades para reerguer a ponte que caiu, e Rick está cada vez mais perdido no controle desta diligência desgovernada. Ele tenta afirmar para si próprio que fez e está fazendo a coisa certa, enquanto seus aliados e os próprios fatos ao seu redor parecem querer lhe testar e colocar em dúvida se suas atitudes desde o final da Guerra contra os Salvadores até aqui têm sido corretas.

E como se isso não fosse o suficiente, os recursos que o Santuário tem enviado para Hilltop sumiram antes de chegar ao seu destino final. Tal mistério (que já temos uma singela noção do que é o grande causador) está sendo um fato extra na ruptura da panela de pressão.

Com tantas insurgências pipocando nesses 40 minutos, o episódio prendeu a atenção do início ao fim, finalizando com uma pequena amostra do que pode ser a chegada da ameaça que “sussurra” pelos cantos e que pode ser um tremenda dor de cabeça logo ali na esquina.

A direção mais uma vez foi bem conduzida, o roteiro teve uma significante melhora e as atuações seguem no bico da agulha, rodando perfeitamente ajustadas e precisas. Com válvulas de escape humorísticas – quebrando o clímax explosivo e áspero que ronda o epicentro do episódio – Jadis/Anne e Padre Gabriel, protagonizam um flerte cômico que, pasmem, parece ter dado certo, contendo mais química ali, do que na cama de Rick e Michonne.

Aliás, interessante ponderar a evolução da personagem do Lixão, que de asquerosa e robótica se tornou uma simpática e orgânica personagem, mostrando o talento da exótica Pollyana McIntosh, atriz que tenho acompanhado faz algum tempo em produções originais da AMC e filmes classe B, e seguramente está em seu melhor momento profissional.

The Walking Dead está parecendo encontrar o tom que pretende traçar nesta nova temporada. Ainda que tímido, parece funcionar, e já (me) agrada mais que a trama da temporada anterior. Mas se tratando desta conhecida e quase estafada série, não vamos nos animar demasiadamente, pois ela vem sofrendo por diversas temporadas com a chaga de que a cada 16 episódios, meia dúzia isolada contenta a audiência, o resto é roteiro de novela, chato, quadrado e preguiçoso. Vamos devagar com o andor.

Nota: 8,5

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