Demorei muito para poder encontrar palavras para a crítica do episódio dessa semana.

Confesso que até o presente momento em que escrevo está sendo uma luta comentar e encontrar pontos positivos sobre o episódio, vide a demora em lançar o texto.

Find Me” é uma jornada de Daryl sobre como lidou com o luto de seu “irmão” Rick, portanto, mais um episódio filler que “provavelmente” não terá importância para a trama.

Dirigido por David Boyd (mesmo diretor do episódio focado em Maggie), nos quesitos técnicos conseguiu ser melhor que o episódio anterior. Montagem interessante, fora dos padrões TWD, a fotografia e as transições de tempo que trabalharam juntas ficou muito legal em tela. O grande problema do episódio foi o roteiro e a edição.

Geralmente quando me deparo com um episódio “filler”, sempre parto do pressuposto que a série quer me contar algo importante de um personagem (ou de alguns personagens) para dar mais profundidade à ele, que, por conta da história principal, não costuma ter muito tempo de tela para isso.

Mas sempre foco na palavra “importante”, como por exemplo, o excepcional episódio 6×04 – Here’s not Here, o famoso episódio do Queijeiro.

Naquele episódio conseguimos ter mais uma camada de Morgan, quiçá a mais importante para a trama naquele momento da série, onde vimos como o personagem mudou radicalmente seu modus operandi, e de Lula de 89 full pistola, Morgan foi para Lulinha paz e amor de 2002.

E o episódio foi perfeito retratando sua transformação, foi orgânico, conseguimos nos importar e sentir a dor do Eastman, que tínhamos acabado de conhecer. Um episódio com alma, emocionante, quase um curta-metragem. Isso é a função de um episódio filler.

Aí vamos para o décimo oitavo episódio, que é um filler extremamente esburacado, onde conta uma história que tinha pontos para se tornar um bom filler, sobre o novo protagonista da série, que se afasta da “civilização” e escolhe a solidão na mata como uma forma de lidar com o luto.

E como plano de fundo ele usa como pretexto a busca do corpo de Rick, ex- protagonista da série. Poderia ser um episódio de passagem de bastão. Se o episódio tivesse ficado apenas nesse núcleo, e focado apenas nisso, e deixado um ar de “O Regresso”, filme de 2015, teria sido um filler muito promissor. Um dos problemas tem nome;

Leah

Leah, no 18º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead (S10E18 - "Find Me").

Na verdade, o personagem em si nem foi um problema para o episódio, mas como ele afetou o DNA de Daryl temporariamente, pois no episódio 9×06 (que mostra o salto temporal da série depois que Rick se foi) em diante, ele permanece a mesma pessoa, e em nenhum momento ele comenta sobre seu affair ou sobre sua vida nessa época.

Ao longo da série, Daryl sempre foi visto como um personagem extremamente fechado emocionalmente, e que demanda muito mais do esforço e interesse do outro, do que de si próprio para se abrir. Sobretudo, ele leva muito tempo.

No episódio descobrimos como ele encontrou seu cachorro “Dog” (ou como o cachorro o encontrou), e que na verdade ele era de uma mulher que morava numa cabana chamada Leah, que à principio estava em apuros com zumbis invadindo sua residência.

Daryl aparece para ajudar, mas Leah não demonstra estar tão grata assim. Ela o amarra e o interroga de forma muito rasa. E logo depois o solta, e o manda embora. Fico imaginando como sua inocência e sorte a manteve viva até então naquele mundo pós-apocaliptico, pois com certeza o desfecho da personagem teria sido diferente se ela tivesse sido gentil assim com algum dos Salvadores. Daryl então pega sua crossbow e vai embora. E passam-se alguns meses.

Nessas transições de tempo, é deixado implícito, que os “vizinhos” de mata se encontraram algumas vezes ao longo de vários meses, sempre de forma amistosa, mas sem nenhum tipo de intimidade. Em uma dessas passagens de tempo, Daryl decide pescar um peixe para Leah, talvez um modo dele querer estreitar a relação com ela, que por sua vez, fica arredia e extremamente irritada com a atitude dele. É visível que Leah tem as mesmas dificuldades de Daryl em criar intimidade, por ter traumas no passado.

Logo em seguida ela conta um pouco de seu passado, e entendemos os motivos pelos quais ela mantem-se distante do resto do mundo. Pelo luto, assim como Daryl.

Daí por diante, fica subentendido que eles tiveram um tipo de relacionamento difícil de rotular. Do meu ponto de vista, eles têm um tipo de namoro. É mostrado que ao longo de mais 10 meses uma intimidade é criada, e finalmente Daryl é desvirginado, numa das cenas de sexo mais mal feitas e broxantes que já vi em tela. Tudo é deixado no subtexto, e de forma bem porca. Sequer vemos Daryl na cena.

Em mais uma passagem de tempo, vemos o casal já num clima não tão romântico, discutindo o fato de Daryl querer permanecer pela procura de Rick. Leah lhe dá um ultimato, e pede para ele escolher o que é mais importante para ele.

Daryl então decide voltar para seu acampamento perto rio. Não fica claro se ele escolheu Leah desde o começo, mas não a comunicou, ou se a caminhada até lá o fez mudar de ideia. O fato é que a cena seguinte do ultimato de Leah, vemos Daryl já no acampamento pegando suas coisas, e voltando para a cabana, e logo percebe algo estranho no caminho.

Daryl e Leah (foto dos bastidores).

Ao retornar, vê a cabana vazia, com indícios de que algo ruim pudesse ter acontecido com Leah, que simplesmente havia desaparecido. Ele deixa um bilhete, caso ela retornasse, para ir encontra-lo e desenha um mapa nele. E volta para a mata, agora com seu novo companheiro, Dog.

A edição foi a maior problemática do episódio, por ter deixado muita coisa no subtexto, de forma muito preguiçosa, pois foi como se houvesse buracos no episódio, em que claramente dava impressão de terem cortado cenas, mais do que deveriam. Tudo por que esse núcleo teve de dividir tempo de tela com outro problema.

Carol

Carol e Daryl no 18º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead (S10E18 - "Find Me").

Nesse episódio temos Carol, mais uma vez sem função nenhuma para a trama, pedindo para acompanhar Daryl em sua missão, também pouco interessante.

É apresentado que no período do salto temporal, ela o visitou algumas vezes para se certificar de que estava bem, e no presente é mostrado que ela sabia da existência da Leah, e tenta reconfortá-lo de alguma maneira. Sinceramente ela não fez diferença nenhuma para que o que estava sendo contado aqui. Só tirou tempo de algo que poderia ter sido mais explorado.

Poderíamos ter visto como realmente era a relação deles, como eles viveram os 10 meses. Mas entenderam que era melhor deixar tudo para imaginação do espectador. O que não é uma coisa ruim, quando se é bem feito.

Tenho pra mim que esse foi um episódio de “prevenção”, pois independente de qualquer caminho que Daryl siga, é nítido que os produtores irão enfiar goela abaixo um interesse amoroso ao seu lado, como se a trama dependesse disso.

E caso a personagem Connie não volte, nesse episódio foi apresentado o backup.


Nota: ??/10

E você ? O que achou do episódio? Que nota você acha que eu dei? Comente.

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