Neste domingo tivemos um dos melhores episódios de construção de personagem em TWD. Facilitou muito minha vida, rs.

Splinter”, dirigido por Laura Belsey (mesma diretora do episódio anterior), e roteirizado pela dupla Julia Ruchman, e Vivian Tse, é focado na personagem Princesa, que foi apresentada no episódio “Look at the flowers” desta décima temporada.

Princesa é capturada, assim como Eugene, Yumiko e Ezekiel, por Stormtrooppers putassos, são presos em vagões separados, e ela precisa lidar com velhas feridas. Ou com “farpas” por assim dizer.

Adorei a estética do episódio, estilo “Clube da Luta”. TWD sempre peca por deixar os episódios muito escuros, seja por preguiça, ou para esconder defeitos visuais que veríamos se a cena fosse à luz do dia. Mas nesse caso fez todo sentido, deu o tom sombrio na medida certa. Eu me senti dentro do vagão, que também foi um grande acerto.

Paola Lazaro foi bruxona esse episódio!!!!

Quase 90% do episódio se passou dentro do vagão, e na maior parte do episódio, Paola Lazaro atuou sozinha e é sempre muito difícil manter uma narrativa interessante com esses elementos. Da parte da produção parabenizo pela coragem de fazer um episódio com tantos elementos imersivos e densos, para nos contar a história de uma personagem que está entrando na trama agora, e aplaudo a atuação da atriz, mandou muito bem.

As câmeras com takes fechados que, ora me dava uma sensação de claustrofobia gigante, ora alongava as câmeras com takes mais longos e nos permitia caminhar pelo vagão para conhecer toda sua extensão. E tive um insight sobre o vagão.

Vagão/Princesa

Princesa, no 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead (S10E20 - "Splinter").

É um personagem importante que movimenta muito o episódio. O Vagão representa os traumas de infância da Princesa, e ela está presa lá com eles por conta do padrasto e da mãe.

O vagão é escuro, não há saídas aparentemente. Ela está sozinha, com medo, e então ela começa a ter, o que me parece, uma crise de ansiedade, ou claustrofóbica, e começa usar técnicas mentais de relaxamento.

Ao longo do episódio ela comenta ter TDAH, e algumas outras comorbidades (quando há associação entre duas ou mais doenças, ao mesmo tempo), então posso pressupor que antes das apocalipse zumbi ela se tratava adequadamente, tinha acompanhamento psicológico.

Ela começa a contar os passos dados dentro do vagão, técnica bastante usada em crises desse tipo. Mas não surte efeito, então ela muda o exercício e começa a citar, em ordem alfabética, algumas capitais americanas, conseguindo se acalmar.

Quando uma farpa entra em seu dedo, numa tentativa de raspar a parede para tentar fugir, isso ativa vários gatilhos, dando “ignição” no seu vagão interno.

Yumiko

No episódio vemos somente uma representatividade da personagem, pois tudo se passa na cabeça da Princesa, e como ela vê Yumiko.

Quando um dos guardas bate na Yumiko “real”, isso mexe com a Princesa e traz lembranças da infância abusiva com o padrasto, onde ela também apanhava dele, e sua mãe omissa a tudo, nada fazia.

Yumiko representa a criança indefesa, que não podia revidar, que tinha de ficar no escuro, e tinha medo. Na alucinação de Princesa, em momento algum vemos “sua” Yumiko, apenas a ouvimos. Na verdade, estamos ouvindo a Princesa em sua infância.

Eugene

Eu consigo ver Eugene fazendo o papel da mãe da Princesa, sempre muito inseguro e com medo e, acima de tudo, omisso à toda situação.

Eugene sempre me deu a sensação de que é um personagem que, se houver um mínimo de risco à ele, sempre irá optar pela covardia. Da não-ação, de fugir do enfrentamento. Exatamente como sua mãe agiu com a Princesa diante do padrasto.

Na alucinação, a maior preocupação da “mãe” é que a Princesa voltasse para seu vagão. Voltasse para sua escuridão. Pois a mãe só queria viver na dela, sem se incomodar.

Ezekiel

Ezekiel no 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead (S10E20 - "Splinter").
Calma tio, segura a emoção aí

Ezekiel é o mecanismo de defesa da Princesa, é como ela vê o ex-rei, e como o personificou em sua alucinação.

Como alguém altivo, com ímpeto aventureiro, valente, capaz de lutar contra o mundo sozinho, se for preciso. Mas que só pensa em si mesmo, que sempre vai agir individualmente.

Ele é o nosso desejo de atacar todos que algum dia já nos machucou, como dispositivo de defesa. E que por um tempo, Princesa o deixou conduzir. Para que nunca mais ninguém possa nos machucar. Seja fisicamente, ou emocionalmente.

No episódio, ele tenta trazer Princesa novamente para o pensamento mais “egoísta”, mas ela não cede, e mesmo com um desejo de fugir de tudo, ela volta para seus novos amigos.

Guardas

Tropa de Elite, osso duro de roer…

Não é muito difícil de imaginar que os guardas simbolizam Dougie (o padrasto da Princesa). É a pessoa quem a trancou no vagão. Que a deixou desconfortável fazendo inspeção em seu corpo, completamente nua. Que a interrogou da forma mais fria e quem bateu em seu antigo ferimento.

E no fim, depois de quase mata-lo, tentar fugir, ela volta e põe um band-aid nessa ferida. Entra em um acordo com o Guarda. Não sei se só isso será suficiente para curar esse antigo ferimento, mas é um início. A farpa saiu.

Gostei muito do episódio, principalmente do roteiro, que é simplesmente raro de TWD acertar. Ainda mais adicionando a essa receita um plot twist bem feito. Sonho com um dia que isso se tornará rotina. Mas só sou um sonhador!!!

Nota: 9,0/10


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