Há uma cena no 3º episódio da 11ª temporada de The Walking Dead (S11E03 – “Hunted”) que resume perfeitamente todas as minhas frustrações com esta nova e “melhorada” série de zumbis de Angela Kang.

A cena de que estou falando envolve o quarteto girl power de Alexandria que saíram para resgatar os cavalos da comunidade. Carol, Magna, Rosita e Kelly saem para encontrar os cavalos e, em vez disso, encontram muitos deles mortos à beira do rio. Sentindo-se derrotados, eles decidem voltar para casa antes de escurecer.

Então, milagrosamente, os cavalos aparecem sobre uma crista, galopando por um campo. Eles estão indo em direção à fazenda, exclama Rosita. Podemos prender eles lá! E lá vão elas, A PÉ, para apanhar os cavalos.

Na cena seguinte já na fazenda, o último dos cavalos está sendo preso com sucesso. Um trabalho bem feito. Mas como? Como essas quatro mulheres, todas a pé, lutaram com todos esses cavalos? Como elas conseguiram alcançá-los em primeiro lugar, quanto mais conduzi-los por um portão?

Em uma cena anterior, elas tentaram pegar apenas uma desses cavalos e todas as quatro de uma vez não conseguiram colocar um laço em volta do pescoço. Como, então, devemos acreditar que eles pegaram todo o resto? 

Carol, Kelly e Magna em foto promocional da 11ª temporada de The Walking Dead.

Isso me lembra o primeiro episódio da temporada quando Ezekiel, Yumiko, Eugene e Princesa conseguem sair de sua jaula, roubam duas armaduras de Stormtrooper e quase conseguem escapar da Comunidade. Não saem por pura escolha.

Claro, sabíamos que dois dos guardas estavam dando uma brecha no intervalo para transar e tiveram que tirar suas armaduras para fazê-lo – mas como nossos heróis sabiam onde isso estava acontecendo, quanto mais roubarem as armaduras sem serem detectados, ou ainda saírem de sua jaula pra começo de conversa?

Não é apenas um descuido, é preguiçoso – e de certa forma arrogante o modo como os roteiros tem dado esse tipo de furo narrativo. É como a Angela Kang dissesse ao público: “Achamos que nosso público é estúpido, então vamos escrever esses cenários ridículos e implausíveis e nem mesmo mostrar nosso trabalho e nosso público estúpido vai absorvê-lo de qualquer maneira. Não precisamos desse tipo de esmero”.

E veja bem, isso é uma falha no roteiro, um furo. Não se trata de opinião. Por mais bonita que tenha sido a cena dos cavalos (e foi), com uma fotografia bonita, com planos abertos legais, continua havendo um erro de roteiro. Um erro bonito, mas um erro.

Essa tem sido a atitude arrogante dos showrunners de The Walking Dead desde que Scott Gimple estava no comando. Ou isso ou eles realmente não entendem que mesmo sendo uma série de zumbis, esperamos que as coisas façam sentido. Esperamos que os personagens ajam de maneiras plausíveis e sensatas e sofram consequências por tomarem decisões estúpidas ou egoístas.

E não que os personagens principais sempre sejam protegidos pelo roteiro, como Glenn e a caçamba, e recentemente Maggie caindo no meio dos zumbis, e milagrosamente consegue escapar, mas a série decide não mostrar. Obvio, daria muito trabalho escrever algo plausível para isso. Melhor não mostrar.

As coisas não podem simplesmente acontecer e isso e principalmente fora da tela. Não é uma opinião, é uma falha grave de edição. O pequeno grupo de vaqueiras de Carol não teria nenhuma chance razoável de lutar com uma dúzia ou mais de cavalos a pé com tanta facilidade, então elas simplesmente não demonstram. 

A melhor cena, de longe, é a dolorosa decisão de Carol de matar um dos cavalos para que o povo de Alexandria pudesse comer, mas mesmo isso foi confuso, pois vemos as crianças comendo pedaços de carne no mesmo momento em que Carol está fora de casa, nos estábulos, matando a pobre criatura. Não era carne de cavalo, então? Eles estavam comendo alguma coisa? É confuso. Montagem pecou nisso.

Por falar nisso, achei totalmente desnecessário o arco das crianças debatendo o dilema de seus pais em iludi-los para tranquilizar, mais adiante no episódio o dilema moral de comer carne de cavalo. Povo passando fome, comendo sopa de pedra da Carol, e os mestres do churrasco analisando a consistência. Primeiro que nem devia falar nada pra criança dessa idade. É carne de que? É carne de carne, come logo!

Reapers

A história do quarteto e os cavalos é a trama paralela do episódio desta noite. A verdadeira caçada é inteiramente focada nos sobreviventes do ataque Reaper.

A cena de abertura é um desastre mal coreografado que finge ser uma sequência de ação emocionante.

O que há com a iluminação estranha no rosto de Maggie durante cada close-up? Por que essa cena foi filmada de um ângulo tão perturbador, com nossos heróis correndo aqui e ali enquanto os Reapers fora da tela atiram machadinhas e facas neles?

Quando o grandalhão é atingido por aquelas facas, parece que estão se movendo em câmera lenta. E se eles estavam atrás da Maggie, porque não a mataram logo quando tiveram chance, enquanto a líder em choque, no chão, via todos seu grupo ser dizimado? É apenas uma sequência de abertura bem mal executada.

A partir daqui, as coisas melhoram um pouco. Maggie se encontra de repente, inexplicavelmente sozinha e perambula, eu acho, para fugir ou para encontrar outros sobreviventes. Ela vai a um shopping abandonado. Quando ela entra, os Reapers aparentemente já estão lá – acho que um de seus superpoderes é saber exatamente onde os mocinhos estarão. Ou estavam à cavalos para serem tão rápidos.

Ela encontra Alden em uma grande sala aberta no topo do prédio. Ele está ferido e como ele chegou até aqui sozinho permanece um mistério. Dois Reapers aparecem literalmente do nada e jogam Alden e Maggie no chão. Outro superpoder deles é ser capaz de se mover em silêncio absoluto e invisibilidade. Maggie está quase perdida quando Negan aparece para salvá-la. Ele faz jus ao nome de seu antigo grupo (Saviors).

Negan enfrenta zumbi no 3º episódio da 11ª temporada de The Walking Dead (S11E03 - "Hunted").

Ele quase consegue salvar o episódio também, mas não completamente. Ainda assim, as coisas melhoram quando ele está por perto. Eles ajudam Alden a sair do prédio e encontrar mais integrantes do grupo de Maggie. Uma mulher chamada Agatha e o grandalhão Duncan, que já está batendo nas portas do céu. Por que se preocupar em aprender os nomes dessas pessoas quando eles são usados ​​apenas como mortes fáceis? Maggie já perdeu quase todas as pessoas que trouxe com ela para Alexandria. Melhor líder kkk

Então é só a Agatha que sobrou, e alguns minutos depois ela é mordida por um zumbi. Maggie tenta salvá-la e Negan é forçado a carregá-la – salvando-a uma segunda vez da morte certa, não que Maggie esteja grata. Ela dá outro discurso sobre como ele não é um deles, nunca será, blá, blá, blá. Maggie você partiu por anos. Negan faz mais parte do grupo do que você neste momento. Negan 1 x 0 Maggie

Eles deixam Alden sozinho depois que Negan diz a Maggie que ela precisa tomar uma decisão e ela faz um monólogo bobo sobre como ele não consegue mais decidir quem vive e morre. “Você ainda precisa decidir”, diz ele, com uma cara de “não mete o loco, a bronca é sua agora fia”. Então, eles deixam Alden para trás e prometem voltar para buscá-lo depois. . . bem, não tenho certeza de qual é o plano neste momento. Negan mata um zumbi do lado de fora e o sangue escorrendo de seu pé de cabra lembra a ambos da época em que Glenn conheceu Lucille.

Isso apenas me lembra de quando esta série deu uma guinada tão massiva para pior e eu me encontro perplexo com o quanto passei a gostar de Negan e o quanto passei a não gostar de Maggie.

Destaques

As melhores personagens da série não são suas estrelas. Carol é quase constantemente irritante com seu absurdo melodramático insosso. Maggie é chata e uma líder bem ruim, o grupo dela que o diga. Estávamos melhor sem ela.

Eu quero mais da estranheza da Princesa. Magna e Yumiko, quando não estão discutindo o relacionamento chato, são mais interessantes separadas. Yumiko em particular cresceu muito em meu conceito nos últimos episódios, no quesito liderança.

Mas The Walking Dead insiste em fazer de Maggie e Carol as estrelas femininas deste programa, quer tragam algo relevante ou não, e Michonne se foi depois de perder toda a credibilidade quando ela deixou seus filhos para trás durante uma guerra desesperada e assustadora com os Sussurradores. Então aqui estamos nós.

Gabriel, por sua vez, continua a ser um dos personagens mais surpreendentes da série, tendo passado de covarde e rato chorão a um dos mais assassinos de sangue frio do grupo. Quando ele rastreia o Reaper ferido, o homem pede que ele ore com ele (expondo o grupo como um bando de fanáticos religiosos) e Gabriel diz a melhor fala do episódio.

“Pensei que você fosse um homem de Deus”, diz o Reaper.

“Deus não está mais aqui,” Gabriel responde antes de matá-lo.

Negan também tem seu destaque, ele traz tanto um alívio cômico na cena de forma cirúrgica, muito encaixado no roteiro e seus diálogos sempre são precisos. Fora a atuação de Jeffrey Dean Morgan que dispensa comentários. O episódio sempre ganha um ponto a mais só por ele estar participando.

De muitas maneiras, Negan e Gabriel são os dois personagens que mais mudaram e de forma mais consistente. Carol muda constantemente, mas sem consistência real em seu arco; Daryl mudou há muito tempo, mas ele permaneceu praticamente o mesmo cara por muitas temporadas. Negan e Gabriel tiveram os arcos mais dinâmicos e interessantes.

No geral, achei um episódio muito fraco. Os dois primeiros foram melhores (embora melhor ainda como um longo episódio), mas quando você olha os três primeiros episódios, é um começo muito instável para uma última temporada de The Walking Dead, que não dá muitos motivos para me deixar otimista para o que vem a seguir. Talvez este tenha sido apenas um episódio ruim entre os bons. Modo iludido ON.

Nota: 5,5/10

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