Olha lá, outro líder maluco de um grupo (à princípio) muito perigoso!!! E assim TWD segue “inovando” em sua última temporada da série.  

Dirigido por Frederick E.O. Toye e roteirizado por Nicole Mirante-Matthews, acompanhamos Daryl que se separa de Maggie e os outros, e se junta a um grupo não tão bom assim, contra a sua vontade para se salvar. Te lembra alguma coisa?

The Claimers

No episódio “Sozinho” (4×13), Daryl também se junta a um grupo de saqueadores, que tinha como princípio o que o americano chama de *dibs. Basicamente se o integrante do grupo encontrasse ou caçasse algo, era dele, sem a necessidade de dividir, ou que alguém mais reivindicasse aquilo.

Por que os grupos dos vilões de TWD quase sempre tem nomes maneiros (Claimers, Whisperers, Saviors e agora The Reapers), e os mocinhos não? Fica a trívia kkk

Os Reapers (Ceifeiros em português), são muito parecidos com os Claimers, apenas mais fanáticos, violentos e mais caricatos. E eles usam máscaras como os sussurradores. Até agora ainda não temos muitas informações, suas motivações e por que eles estão indo atrás do grupo da Maggie.

O líder do grupo, o Papa é como uma versão fanática religiosa de Negan. Tem um grupo que lembra muito os salvadores. Ele até joga um de seus capangas no fogo porque o pobre coitado fugiu de uma luta, assim como Negan fez com o médico. Porque é isso que faz um vilão que se preze.

Ele elimina seu pessoal (que aparentemente já não é muito grande), para dar o exemplo. Papa acredita que seu grupo é protegido por Deus, pois seu grupo de mercenários passou por um tipo de provação onde seria impossível escapar.

Escondidos dentro de uma igreja, as bombas que caíram queimaram tudo a seu redor, mas todo seu grupo saiu ileso, sem um ferimento sequer. Então o Papa, que mais parece um padeiro putasso, vê seu grupo como abençoado e protegido de todos os males do apocalipse. Menos o cara que ele tacou no fogo.

E assim TWD faz uma reciclagem de todos os vilões que já passaram na telinha. Só faltou o tiozão aparecer de tapa-olho, para fazer aquele easter egg maroto do finado Governador.

Daryl e Leah

Enquanto Daryl foge, junto de seu cachorro, ele reencontra um rosto familiar, Leah, uma personagem que apareceu em um dos episódios extras que eu suspeito que muitos espectadores provavelmente pularam, já que era apenas um “extra” ligando as temporadas 10 e 11. Um filler, que até então pouco tinha agregado.

Leah era uma personagem “meh” naquele episódio e o romance deles era tudo menos sinérgico. Quando Daryl diz “Eu nunca menti para você, Leah. Não vou começar agora”, parece tão vazio e não falso. Se Leah fosse um personagem estabelecido – se Carol tivesse de alguma forma, ao longo das últimas duas temporadas, se tornado uma Reaper -, então tudo que viesse a seguir seria plausível. Ou até mesmo com Connie.

Em vez disso, The Walking Dead nos faz engolir goela abaixo que, sim, Leah é interessante e essencial para Daryl, e que todo esse tempo ele não parava de pensar nela. Mesmo nada disso sendo mostrado. Quem se importa com Leah?

Ela quer que ele seja introduzido no grupo do Papa e funciona: o grupo incendeia o quarto onde ele e Leah estão, como uma espécie de processo seletivo. Milagrosamente, ele é capaz de arrancar algumas tabuas com um cano, quebrar uma janela de vidro e escapar, porque aparentemente uma solução tão óbvia é ao mesmo tempo brilhante e corajosa.

Papa faz um discurso muito caricato , e pronto, agora ele é um deles, um Reaper. É até legal o nomenclatura do grupo kkkk

Protegidos pelo roteiro?

Quaisquer momentos emocionantes ou tensos que este episódio possa ter tido, foram privados de toda gravidade pelo fato de que 99% dos personagens eram novos e descartáveis ​​e essencialmente irrelevantes e a única figura importante na equação é protegido pelo roteiro. Daryl vai ficar bem e nós sabemos disso, e isso torna nossa conexão com um episódio como este precária, na melhor das hipóteses.

Agora imagina se o episódio tivesse sido com o Gabriel? Um padre sem fé, entrando no grupo de um fanático religioso, o quanto não renderia um roteiro desses? Angela Kang perdeu uma chance incrível de tornar o episódio épico. Ao invés disso quis jogar no safe, e reaproveitar um personagem introduzido nos episódios extras, que nem é tão interessante assim.

Pra que perder tempo desenvolvendo personagem novo, na ULTIMA TEMPORADA da série? Eles simplesmente poderiam joga-la no meio do spin-off de Daryl e Carol e pronto. Quem quiser acompanhar o desenrolar disso, que acompanhe. Eu não me importo.

Angela Kang esta tratando essa temporada como mais uma temporada, e não como a ultima temporada. Se tem um momento em que eles podem arriscar, e testar coisas novas, é agora. Agora é aquele jogo que você esta perdendo de 7×1 e coloca os garotos da base pra testar e ganhar experiência.

Do contrário vamos ter uma tensão artificial e previsível demais para ter muita importância. Eita, eles vão botar fogo no Daryl? Relaxa, ele vai ficar bem. Ele e a Carol têm um spin-off.

Não gosto da ideia de apresentar “novos” vilões na última temporada, e sobretudo reciclar vilões já apresentadas, mas com uma nova skin. É preguiçoso.

Fazer com que o espectador sinta um perigo real exige um nível de habilidade que os escritores e produtores atuais claramente sofrem muito para atingir. Os Reapers, por mais que eu tenha gostado do nome do grupo, demonstra uma aparente deficiência em me trazer um senso de urgencia, e isso fica mais nítido quando comparamos com a ultima ameaça, os sussurradores.

Eles são mercenários, com armamento pesado, mas demonstram ser um grupo pequeno. Não sabemos seus objetivos, ou o que querem com Maggie, apenas sabemos que o Papa é Pop, e é dodói da cabeça. E é isso.

Me surpreenda TWD, namoral!!!

Nota: 5,0/10

E você o que achou do episódio? Dê a sua nota!!!

OBS: gostaria de deixar um questionamento aos fanáticos da série que me consideram hater do programa. O que acharam de Daryl voltando a utilizar as tripas de zumbi, num ponto quase vazio da floresta, e quando era realmente necessário (na base militar do primeiro episódio), o grupo não se deu o trabalho? Quando falo sobre inconsistências e conveniências de roteiro, é sobre isso.

*DIBS – é o termo inglês dos EUA, também conhecido na Irlanda como “Bagsies”, ou “Bags” na região Black Country do Reino Unido, para uma convenção informal onde se declara uma primeira reivindicação de algo para o qual ninguém mais um direito claramente reconhecido. Chamar “dibs” ou “Bagsies” só é possível quando a pessoa quem diz quer a responsabilidade do objeto.

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