Shams Jorjani, CEO da Arrowhead Game Studios, estúdio de Helldivers 2, disse que a compra da EA por um consórcio liderado pelo fundo soberano da Arábia Saudita pode reduzir a variedade de jogos da publisher. A operação, de US$ 55 bilhões, está prevista para ser concluída nesta terça-feira (4), após o fechamento do pregão em Nova York.
“A indústria precisa de diversidade de negócios tanto quanto precisa de diversidade criativa: quanto mais estúdios e publishers operando em escalas diferentes, fazendo apostas diferentes, mais saudáveis os jogos ficam”, afirmou Jorjani em declaração enviada ao GamesRadar+.
Ele citou Battlefield, The Sims e Mass Effect ao lado de títulos menores como Split Fiction e Unravel e de clássicos como Command & Conquer: Generals e SimCity 2000. “Este acordo é consolidação, sem dúvida, e eu me pergunto se a nova gestão vai otimizar para a aposta segura, mais sequências, mais megafranquias, em vez dessa amplitude”, disse. Segundo o executivo, transformar a EA em uma “máquina de sequências e megafranquias” seria “um desperdício real de um dos melhores catálogos da indústria”.
O que muda na EA
O negócio foi anunciado em 29 de setembro de 2025 e aprovado pelos acionistas em dezembro, a US$ 210 por ação. É a maior aquisição alavancada já registrada, com cerca de US$ 36 bilhões em capital próprio e US$ 20 bilhões em dívida bancada pelo JPMorgan.
Depois do fechamento, o Public Investment Fund (PIF) fica com 93,4% da empresa, a Silver Lake com 5,5% e a Affinity Partners, firma de Jared Kushner, com 1,1%. A EA deixa a Nasdaq após 35 anos como companhia de capital aberto, mantém a sede em Redwood City, na Califórnia, e segue comandada por Andrew Wilson.
A operação vinha sendo criticada desde o anúncio. Senadores norte-americanos citaram riscos de influência estrangeira e de segurança nacional, e a Human Rights Watch acusa o PIF de usar investimentos em esporte e entretenimento para melhorar a imagem internacional do país diante do histórico saudita de violações de direitos humanos.








