Agora Eddie Guzelian é quem arregaça as mangas para iniciar de fato o clímax da temporada na revolta contra o CRM, em um plano elaborado às escondidas que pouco a pouco vai ganhando sentido no degringolar da coisa. Há no entanto o costumeiro caminhão de conveniências para aceitar metade do que vemos em tela e isso decorre, claramente, da quantia limitada de episódios para o encerramento, ainda que não prejudique o todo por completo.

Se pudermos relevar o fato de nenhum dos pesquisadores se opor a revolta dos Bennett, que simplesmente há passagens subterrâneas tiradas da cartola e que nenhum personagem verdadeiramente irá a óbito, Returning Point funciona muito bem no que se propõe e o acerto começa na injeção de pressão sobre os ombros de Jennifer cada vez mais aflita e receosa em ser descoberta, precisando agir nos dois lados sem deixar a máscara cair. Seus momentos com Jadis, que a essa altura já desconfia de um suposto traidor, são de roer as unhas por cada expressão de Pollyanna McIntosh para a soldado, principalmente no instante em que o velho X9 vem contar poucas e boas sobre Indira.

Vejo dois lados nessa questão: a boa é que a traição nada surpreendente do coroa abre espaço para que o desconfiômetro caia na ausente Elizabeth Kublek, que em um flashback prova-se uma mulher de bom coração ao ceder auxílio médico a adoentada Indira em segredo, e consequentemente nos faz crer que Jadis põe Jennifer no mesmo balaio de moça dos planos escusos; a má é que tudo convém para uma tensão simples, já que Brody nem entrega Jennifer antes dela abate-lo com um tecão no coco (adorei o momento), servindo apenas para dar margem a quase execução de todos, interrompida por Dennis e Silas que chegam “deus ex machizinando” a parada.

Faltou uma morte significativa ali. Talvez a de Elton, visto que todos seus momentos de ternura ao lado de Asha sugeriam a proverbial calma antes da tempestade e ter ambos morrendo juntos seria poético, muito mais tocante que Dennis levando um furo no bucho. Mas se serve de algo tudo isso é ver Jadis em ação. Vimos todo seu jogo de persuasão em Blood and Lies que resultou na morte de Lyla e aqui sua vilania é consumada quando diante de uma situação análoga ao massacre no lixão, ocorrido na série principal. Isso duas vezes, nessa e no fim em que ela profere a ordem de abate a qualquer um de jaleco fora dos muros.

Claro, Jadis ainda não sabe o trunfo que os fugitivos têm: o filho do chefão. Se eu achava que tudo pintava para um possível romance ou algo parecido entre Hope e Manson, na realidade a coisa toda se tratava de pôr a jovem próxima da barganha ambulante ao qual ela mesmo arrasta para os outros sem muita dificuldade (até eu iria hehe). Tem pano para manga esse conflito interno da prodígio, ainda que acredite que nem seja aproveitado agora que o assunto é engatar de vez para o grand finale.

Mesmo com seus atalhos, Returning Point tem seu mérito ao entregar o tão esperado clímax da temporada — e é só o começo. A economia de mortes pode ser um alerta para o descarte em massa no último episódio, mas ainda falta mais um para chegarmos até ele. Só que nada impede que isso ocorra antes, não é?


Nota: 3,5/5

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