Naz Chris, a assessora de Kazuhiko Torishima, afirmou que a recente entrevista atribuída ao ex-editor de Dragon Ball, com declarações duras sobre Dragon Ball Daima, One Piece e mangás contemporâneos, é resultado de distorções.
A assessora publicou um esclarecimento em suas redes sociais após o material viralizar em fóruns e perfis dedicados a anime nos últimos dias.
“Este artigo contém traduções incorretas, interpretações equivocadas e edições seletivas. Não aprovo esse tipo de divulgação”, escreveu a assessora.
Segundo ela, não houve entrevista oficial durante a Comicon Napoli. O conteúdo que circulou teria sido extraído de uma conversa informal, com piadas e comentários descontextualizados apresentados como falas oficiais.
O próprio Torishima também teria manifestado incômodo com a repercussão e reforçado que não concedeu entrevista nesses termos.
Espalhar qualquer coisa sem nem mesmo investigar, só para chamar a atenção.
É realmente irritante.
O que circulou no texto contestado de Torishima
A suposta entrevista atribuía a Torishima ataques diretos a obras de sucesso. Entre as falas que correram pelas redes apareciam a definição de Dragon Ball Daima como “traição” à franquia, a classificação de Chainsaw Man, Demon Slayer e Jujutsu Kaisen como “lixo”, além da afirmação de que somente japoneses seriam capazes de produzir mangá.
O material também trazia análises sobre One Piece, com elogios a Eiichiro Oda como autor apaixonado pelo formato e críticas ao excesso de texto da série em comparação a Dragon Ball. Outro trecho colocava na boca do editor a revelação de que Dragon Ball GT só existiu para evitar a demissão em massa de profissionais da indústria após o fim do mangá original.
Naz Chris não detalhou quais declarações específicas estariam erradas, mas indicou que o tom e o conteúdo foram alterados pela tradução e pelo recorte editorial feito por terceiros.
Resumo do que foi atribuído a Torishima
A thread que viralizou listava dezenas de afirmações em nome do editor durante a Comicon Napoli.
Segundo Naz Chris, esse material foi divulgado com traduções incorretas, interpretações equivocadas e edições seletivas, sem que seja possível, no momento, distinguir o que foi efetivamente dito do que foi distorcido.
Os pontos abaixo reproduzem o conteúdo que circulou e devem ser lidos sob essa ressalva:
- Era contra transformar Goku em adulto e temia que isso afetasse as vendas de Dragon Ball.
- Considera a luta contra Piccolo Daimao um dos piores momentos do anime original, por culpa da equipe da Toei, formada por especialistas em comédia vindos de Dr. Slump.
- O rebranding para Dragon Ball Z teria sido feito para corrigir esse problema e trocar a equipe pela mesma que depois trabalhou em Os Cavaleiros do Zodíaco.
- O nome “Z” foi escolhido porque Akira Toriyama acreditava que a letra era a última do alfabeto e que nada viria depois.
- Dragon Ball GT só foi produzido para evitar uma onda de demissões na indústria após o fim do mangá.
- Battle of Gods nasceu de uma promessa feita por Torishima a um amigo doente; o primeiro rascunho teria sido considerado ruim, levando Toriyama a reescrever o roteiro.
- Dragon Ball Daima foi descrita como “merda” e “traição” à franquia, com o primeiro episódio chamado de inútil.
- Mangás antigos seriam superiores aos atuais por levarem em conta a leitura impressa em página dupla — algo perdido por causa dos smartphones.
- A Weekly Shonen Jump teria ficado prolixa porque os mangakás passaram a escrever para adultos, e não para crianças.
- One Piece foi descrito como sucesso por causa de protagonistas relacionáveis, com elogios específicos a Zoro, Nami e principalmente Usopp.
- Eiichiro Oda foi descrito como nerd apaixonado por mangá, característica que Torishima não consideraria positiva — Toriyama, ao contrário, “odiaria” desenhar.
- Jujutsu Kaisen, Demon Slayer e Chainsaw Man foram classificados como lixo; Blue Lock também teria sido criticado.
- Hirayasumi foi citado como o único mangá moderno digno de leitura, e Touch como um dos melhores de todos os tempos.
- Naruto teria sido bom até o arco do Pain, com sugestão de que Sasuke deveria ter morrido e Kakashi permanecido morto.
- Apenas japoneses seriam capazes de fazer mangá, com riso direcionado ao concurso mundial da Kodansha.
- Uma página de mangá precisaria ser legível em três segundos, em sintonia com a filosofia de Osamu Tezuka.
- Haveria ainda um “anúncio secreto” que o editor não poderia revelar no momento.
Gravações originais devem ser divulgadas
Em conversa com outro usuário nas redes, a assessora informou que existem registros em áudio da conversa em Nápoles e que esse material será publicado em breve. O objetivo é apresentar o contexto completo das falas e encerrar a controvérsia em torno do que Torishima realmente disse na Itália.
Torishima editou Dragon Ball na Weekly Shonen Jump durante boa parte da serialização original e voltou a participar de convenções internacionais nos últimos anos. A divulgação das gravações da conversa em Nápoles ainda não tem data definida.








