Shawn Layden, ex-presidente da PlayStation Worldwide Studios, avalia que a decisão da Sony de abandonar os discos físicos pode “influenciar fortemente” os rumos de Xbox e Nintendo. A declaração foi dada em entrevista ao Eurogamer.
Para Layden, que comandou os estúdios durante a era de ouro do PS4, o peso da empresa no setor torna a mudança um marco. “Se uma empresa, sobretudo a líder do mercado, toma uma decisão dessa magnitude, isso vai influenciar fortemente o que as outras fazem”, afirmou, classificando o movimento como uma “decisão dramática”.
O que muda para Nintendo e Xbox
Por ora, as concorrentes seguem outro caminho. O Nintendo Switch 2 é um console recente que aceita cartuchos físicos, apesar da polêmica em torno de alguns lançamentos em Game-Key Card. A Xbox, por sua vez, discute abertamente o Project Helix, sua próxima geração capaz de rodar jogos de PC, mas ainda não prometeu um leitor de discos embutido.
Layden contou que o fim das mídias físicas era um assunto recorrente na Sony. Segundo ele, a pergunta surgia “todos os anos, nos últimos 20 anos”, mas ele preferia esperar até ter certeza de que a banda larga mundial fosse boa o suficiente para sustentar a experiência de download para a maioria dos consumidores. Esse cenário não se concretizou durante sua gestão. O executivo lembrou ainda que não trabalha mais na PlayStation e, portanto, não tem acesso aos dados internos atuais da empresa.
Reação negativa e físico que ainda cresce
O anúncio da Sony foi mal recebido. Desenvolvedores e distribuidoras de jogos como Baldur’s Gate 3 e Silksong se manifestaram contra o futuro totalmente digital da PlayStation, citando preocupações com preservação de jogos e direitos do consumidor.
Os números da própria empresa ajudam a explicar a decisão: o digital já representa 85% das vendas de jogos completos em PS4 e PS5, contra 15% do físico, segundo o balanço do quarto trimestre do ano fiscal de 2025.
Ainda assim, o mercado físico não desapareceu. Levantamento recente apontou que os gastos com jogos físicos nos Estados Unidos cresceram nos últimos 12 meses, o primeiro aumento em 17 anos, somando cerca de US$ 1,6 bilhão apenas no país.








