Polícia japonesa prende primeiro uploader do Nyaa, um dos maiores sites de torrents de anime

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A polícia de Kyoto prendeu em 28 de julho um homem de 56 anos, morador de Sagamihara, na província de Kanagawa, sob suspeita de violar a lei de direitos autorais japonesa ao publicar no Nyaa o arquivo torrent de uma série da NHK. A ação foi conduzida pela divisão de investigação cibernética da corporação e pela delegacia de Fushimi, e divulgada pela CODA, entidade antipirataria que reúne emissoras, editoras e estúdios japoneses.

Segundo a polícia, ele publicou em 7 de junho, por volta das 21h10, a gravação do drama Midnight Taxi, deixando o arquivo disponível para download. O suspeito admitiu a acusação, disse que queria divulgar as obras da NHK para o mundo e afirmou ter enviado mais de mil arquivos em cerca de cinco anos, incluindo os dramas históricos Berabou e Toyotomi Kyōdai!. Não há confirmação de ganho financeiro. Outros três homens, nas faixas dos 40 e 60 anos, foram encaminhados ao Ministério Público sem prisão por baixar e assistir ao conteúdo.

Por que a CODA mira o primeiro uploader

No BitTorrent, o site publica apenas os torrents, que apontam para as máquinas dos usuários. No começo da distribuição, só o primeiro uploader (seeder) tem a cópia completa; os demais recebem os dados dele e repassam a terceiros. A CODA descreve essa figura como o ponto de partida da disseminação e prioriza sua identificação, já que agir contra quem está mais abaixo na cadeia tem efeito menor. A entidade alerta que a maioria dos programas de compartilhamento envia dados enquanto baixa, de modo que apenas usar o serviço pode configurar violação no Japão. Sites de torrent, por outro lado, não são ilegais em si.

Levantamento da SimilarWeb citado pela CODA aponta média de cerca de 30 milhões de acessos mensais ao Nyaa entre julho de 2025 e junho de 2026, com aproximadamente metade vinda do Japão, onde animes e dramas aparecem no site logo após a exibição. A entidade divulgou o nome e o domínio da página, prática incomum em seus comunicados, e disse ao INTERNET Watch que a intenção era informar o público sobre os riscos desse tipo de site.

A investigação sobre o Nyaa começou em 2021, dentro do Projeto de Execução Internacional (CBEP), financiado pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão. Uma ferramenta desenvolvida pela Associação Japonesa de Hackers permitiu obter dados do suspeito, e a polícia de Kyoto abriu o caso por volta de abril de 2024. Em 2019, a CODA já havia atuado junto ao Google para remover a página inicial do site dos resultados de busca.

A prisão ocorre menos de um mês depois da detenção, no Vietnã, de sete pessoas apontadas como operadoras do HiAnime, maior site de streaming pirata de anime, encerrado em março. Segundo a Alliance for Creativity and Entertainment, o grupo mantinha mais de 100 sites e movimentou cerca de US$ 12,85 milhões em publicidade entre 2020 e abril de 2026.

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